sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Quem eu era e a máquina de escrever


Quando criança tive por algumas vezes redações selecionadas para exposições e 
feiras na escola e nos faz de conta me sentia uma grande escritora. Escrevia em diários e os guardava como tesouro, alguns ainda existem apesar de já não me encontrar neles.
Lembro-me de uma criança assustada e que nunca sabia ao certo o que dizer e sempre falava o desnecessário e em momentos impróprios. Não sabia como interagir com as pessoas, sentia-se um bicho assustado, encurralado e sozinho. Aos 10 anos ganhei do meu pai uma máquina de datilografia bem antiga. Escrevia poemas, textos enormes e adorava descobrir novas regras da digitação. Foram longas e boas horas. 
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Nessa época eu tinha um quarto aconchegante e em frente à janela plantas que meu pai havia plantando logo que comprou o imóvel e que tornavam a paisagem agradável. Em determinado mês do ano haviam flores que a noite exalava um perfume que deixei de recordar, mas sei que era bom. Lembro dos dias de chuva, quando via as marcas que se formavam ao redor da casa e a água transparente que se juntava em pequenas poças e ao fundo pedras brancas misturadas com terra. A máquina de escrever ficava próxima à janela e ali eu admirada e feliz com meu novo brinquedo não imaginava que hoje a informática me levaria muito mais longe. Digito com muita facilidade este texto e sei que na máquina demoraria muito mais tempo. A máquina que por um período não me deixou sozinha, como tantas outras coisas ficou para trás.
A última vez que vi a máquina estava na dispensa da casa de meus pais. Velha, suja e esquecida à máquina não tornará para meus dias e será apenas uma lembrança cada dia mais distante. No entanto ao lembrar-me dela e do quanto ela um dia significou, pensei também em tudo que o tempo foi amarrotando em minha memória. Objetos, pessoas, livros e lugares que antes tiveram um lugar em minha vida e hoje se perderam. Penso no quanto de mim também se perdeu dando lugar a novas ideias, novos sonhos e projetos e outras formas de ver e entender o mundo. 
Importante se faz voltar ao passado e recordar da máquina, da bicicleta, da mochila, da boneca, do gato, da escola, do livros de contos e da criança que fácil se surpreendia. Pois o que foi importante ontem me trouxe até aqui e o passado ainda que distante sempre fara parte de mim. Lembrar sempre de quem eu era para nunca esquecer e nem me perder de quem sou. 

29/10/2014
Neuza Miranda

Curiosidade: Em 1714 o inglês Henry Mill criou a primeira máquina de escrever. Depois desse primeiro passo, vários outros nomes aparecem aperfeiçoando a invenção chegando até as máquinas elétricas. Mostrando que a capacidade de criação do homem é ilimitada no final do século XX as máquinas foram substituídas pelos computadores. Finalmente em 2011 o último fabricante de máquinas de escrever encerrou suas atividades.
Fonte: Wikipédia

Quando os computadores que conhecemos tornarem-se obsoletos, o que terá sido inventado?

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