quinta-feira, 16 de julho de 2015

Espero não esquecer da cor dos teus olhos

Sinto muito que algumas memórias se percam. Sinto não poder lembrar o perfume, ou a maciez do toque da pele, do calor do corpo e da pressão tão carinhosa do abraço. Sinto tanto não poder lembrar o frio na barriga que senti quando te vi tão lindo me esperando sabendo que você também estava ansioso. Sinto não poder recordar para sempre o sabor exato do beijo, a sensação deliciosa que percorreu meu corpo quando você me tocou e do desejo que senti imediatamente de ser sua. Sei que com o passar do tempo essas lembranças tão bonitas ficarão opacas e turvas até o dia em que saberei que aconteceu, mas já não saberei contar como é o detalhe dos teus olhos ou o desenho da tua boca. 
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O tempo faz isso, leva essas memorias aos poucos. Rouba de nossas lembranças detalhes que não desejamos perder. Seria um alivio se essas memórias pudessem permanecer como um filme e que quando a saudade batesse era só apertar o play e ver de novo e de novo e de novo. Se fechar os olhos agora me lembrarei de como me senti estando tão perto de você, ou como fiquei boba, sem saber o que dizer e tímida porque a sua presença era como um sonho do qual eu não queria acordar e como você me fez sentir de novo a menina romântica e apaixonada que eu tento constantemente matar.
Perto de você essa menina viveu, ganhou luz e brilhou. Perto de você eu fui o que eu sou de verdade e que escondo tão bem. 
Você me expôs, me desnudou, arrancou minha mascara e me deu a liberdade de ser, apenas ser sem véus. Você viu através de mim e quando me deixou foi estranho. Um vazio imenso se formou, pois eu precisei matar a menina e encarnar a mulher que não tem medo de nada. Eu chorei, confesso que a mascara demorou a se fixar de novo, pois foi tão boa aquela leveza que você me proporcionou que eu não desejei voltar. Eu quis ser aquela que esteve com você, mas aquilo foi apenas um sonho e sonhos tem prazo para acabar no momento em que se iniciam. Eu sou tua, serei tua para sempre e serei livre para sempre, toda vez que retornar a aquelas memórias ainda que turvas do menino de sotaque gostoso, do abraço delicioso e que me fez sentir o que antes eu não tinha sentido.

Obrigada, te agradeço pelo breve instante de paz. 
Você me fez muito feliz. 

Em memória das férias no Rio de Janeiro - RJ - Junho de 2015

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