terça-feira, 28 de março de 2017

A depressão só não me mata porque...


Mesmo um livro sendo cansativo, não sendo o estilo que me atrai, ainda assim sempre me obrigo a lê-lo até o fim.
Isso aconteceu com várias obras e o mais curioso é que no fim de algumas delas me surpreendia e sentia feliz por não ter desistido. Um livro por pior que seja sempre passa algo útil seja contribuindo com a melhora da leitura, da escrita, do vocabulário, dos conhecimentos, enfim, ele sempre traz algo útil que seja ensinar que aquele autor deve ser evitado nas próximas leituras.
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Tenho encarado a algum tempo minha vida como um livro que não quero ler, mas que sem pedir ganhei e tenho que conclui-lo por mais massante e fadigante que este esteja.
Este livro não tem heróis ou princesas,bruxas ou fadas e me mostrou que a maioria de tudo que nos fazem acreditar que tenha um sentido maravilhoso ou belo não faz sentido algum. Não ha nada escrito, predestinado ou pré concebido além de nossa identidade cultural. A vida vai acontecendo sem um roteiro pré estabelecido e os sinais, estigmas e lendas são apenas isso mesmo.

Não culpo deuses, anjos ou demônios por ser como sou, por ter depressão e por não conseguir encarar os fatos como a maioria das pessoas encara. Poderia ser muito pior, eu poderia ter sido queimada em uma grande fogueira ou torturada até me confessar bruxa e então ser queimada na tal fogueira do mesmo jeito, poderia ter sido morta de tantos formas horríveis se tivesse nascido em seculos passados. Talvez até abrissem minha cabeça com um maçarico, mas estamos em 2017 e aqui o máximo que pode acontecer é a sociedade pautada em sua moral me acusar por não ver deuses e sua misericordiosa bondade, não sentir vontade de ser mãe, não sentir pena de fetos não pensantes e não pensar como a maioria pensa. Nada que possa me matar rapidamente ainda que pense que talvez ou queimados na fogueira tivessem sorte por serem livres disso mais rapidamente.

Viver em sociedade é um risco, ou você fica louco ou passa a vida deixando outras pessoas loucas. Ou você ainda se torna louco e especialista em deixar os loucos mais loucos ainda.

Mas respondendo a pergunta com que este texto começou, a depressão não me mata porque eu sou mais forte do que a vontade de parar de ler o livro. Eu continuarei a lê-lo ainda que contra minha vontade e torço muito mesmo que em um desses capítulos algo aconteça, algo surja e mude o rumo da história. Quem sabe até eu me transforme em uma borboleta magica e saia voando por ai cheia de minhas coloridas e atraentes asas.
Tomara neh.
Neuza Miranda 



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