segunda-feira, 24 de abril de 2017

O submundo ao qual a Depressão me levou

Oi, antes de iniciar a leitura do texto preciso esclarecer que ele foi escrito em Novembro de 2015 que foi o pior momento que passei devido a Depressão. Postei só agora.

Quase dois meses sem postar nada. Quantas vezes quis escrever e nem uma palavra saiu.
O esgotamento físico e psicológico foram bem maiores que a força para reagir. Penso em piloto automático.
A depressão me pegou de jeito em 2015. Chegou em seu ápice em Outubro de uma forma que eu acreditei que não houvesse saída. Mas aqui estou e tudo esta indo de uma forma ou de outra.
São tantos assuntos pendentes e atravessados que nem sei por onde começar.

Não está sendo fácil escrever este post.

Fui diagnostica com depressão no meio do ano e de la para cá as coisas mudaram.
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Comecei o tratamento com medicação e no inicio foi muito dificil devido as reações adversas. Muitos sonhos que pareciam reais, muito sono, desespero, não conseguia diferenciar dia da noite e as vezes acordava em meio a madrugada e passava o resto do dia com sono. Muito difícil essa fase.
Mesmo com os medicamentos a melancolia não passava. Era como se os remédios fossem apenas muletas que me ajudavam a sustentar o corpo, mas ainda assim eu andasse com muita dificuldade de modo que as vezes a vontade era desistir de uma vez.
Trabalhava a três anos em uma empresa que eu amava, me sentia útil e valorizada, mas até isso foi comprometido. Tudo começou quando eu não conseguia acordar no horário e estava sempre atrasada. Depois me deu uma crise muito intensa e fiquei 2 dias sem sair de casa e sem reagir a nada.
Essa crise aconteceu por duas vezes e em ambas eu desapareci. Deixei amigos, família, trabalho e até mesmo cuidados básicos como comer, beber e tomar banho. Deixei tudo de lado e me afundei na cama e na escuridão de meu quarto.
Senti muitas pessoas tentando me ajudar, senti também um grupo de pessoas me descriminando e tentando minimizar a gravidade da doença. E sobre o trabalho que eu amava, de repente deixei de amar da mesma forma. Deixou de ter brilho e ficou cinza e sem graça. Como se minhas mãos ainda que desejando muito não conseguissem fazer as mesmas atividades de antes e só me restava o auto flagelo por perceber o quão fraca eu me encontrava.
As pessoas por mais que tentassem não conseguiam entender a minha enorme vontade de morrer. Eu as compreendo. Quando estou bem e longe das crises percebo o quão estupido seria tirar minha vida. Eu não quero morrer, só desejo que a dor passe e que a vontade de fazer as atividades rotineiras voltem. Sempre penso que é melhor morrer do que viver com a morte dentro de mim. Essa frase resume todo o meu sofrimento e angustia.




A pior parte desses últimos meses certamente foi quando erroneamente resolvi me testar e fiquei dois dias sem a medicação. Acho que queria provar a mim mesma que eu podia enfrentar isso sozinha.
Mas eu estava equivocada. No segundo dia desejei insanamente morrer e tirar a vida de todos que eu amo. Você vai me dizer o quanto sou cruel e fria, mas na realidade esses pensamentos aparecem distorcidos e na hora em que estão acontecendo parecem fazer todo o sentido. Passada a crise percebe-se o quanto eu estava fora de mim e o sofrimento é ainda maior devido a culpa.
Depois de muito pensar e sofrer resolvi deixar o trabalho de lado e tirar um tempo para mim. Sim eu amava o meu trabalho, mas não podia continuar la sendo apenas uma funcionaria ruim. Eu sempre dei o melhor de mim e ser uma funcionaria ruim não me atrai.
Estou a quase 1 mês de "férias" e esse tempo esta sendo muito bom para eu me reorganizar. Confesso que dar um passo ja é dificil, quanto mais manter a casa arrumada e limpa. Sempre é um desafio fazer as tarefas básicas, mas eu tenho tentando muito cumprir com minhas obrigações.

Depressão mata, depressão é uma doença extremamente grave e só quem convive com isso pode entender.
Se você que esta lendo isso for depressivo eu te peço que não desista. Não deixe os pensamentos sombrios te dominarem pois eles querem te matar. Você é mais forte que isso.
Se você não tem depressão, mas convive ou conhece alguém que tenha saiba que essa pessoa precisa muito de você. Mesmo que ela tente se afastar de te manter afastado, não desista ela. Quanto mais essa pessoa se esconde, mais necessitada de sua ajuda ela esta.
Se você não tem depressão e nem conhece alguém que tenha, peço apenas que busque informação sobre o assunto antes de julgar negativamente essa situação. Não sabemos o dia de amanhã.

Muito obrigada por ler.

Neuza Miranda



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