domingo, 11 de março de 2018

E seguiremos entre monstros

Sinto uma saudade imensa de alguns pequenos períodos da minha vida.

Saudade do tempo em que acreditava que existia um ser poderoso e amoroso que cuidava de todos oa habitantes da Terra, mas ai eu cresci e entendi que tudo o que a humanidade não tem é alguem olhando para ela.

Basta olhar para a guerra na Siria ou para a quantidade de crianças que passam fome nos países pobres e nem preciso sair do Brasil pois aqui tão perto a impunidade e diferenças sociais faz suas vitimas a todo instante.

Tenho saudade da criança que acreditava em magia, em milagre e em anjos porque aquela criança não conseguia ver a maldade do mundo e podia ser feliz.

Anjos, deuses, mágica e milagres deixaram de existir quando entendi que aqui entre cada um de nós habita a dor, a maldade, a angústia de sermos pessoas lutando contra a nossa própria natureza ruim.

Outro dia li que um rapaz ameaçava se jogar de um viaduto e rapidamente uma pequena plateia de curiosos se formou para acompanhar o trabalho dos bombeiros e até ai nada de novo pois é normal pessoas se aglomerarem para acompanhar situações que fogem da normalidade de seu cotidiano. Mas a situação ganha um novo enfoque quando essas pessoas motivadas por algo que me assombra e paralisa resolvem gritar palavras de incentivo para que o suicida siga em frente e tire a sua própria vida.

O rapaz, que diante dos esforços dos bombeiros ja mostrava sinais de que desistiria de seu intento ouvindo a platéia, que se divertia e filmava todos os detalhes daquele triste momento de sua vida, salta e põe fim a sua fatidica existência.

A pequena, mas crucial platéia pode ser ouvida nos videos que circulam livremente pela internet e o audio revela a preocupação dessas pessoas em não perderem nenhum detalhe do pequeno show que animadas assistiam.

O jovem de 17 anos morre e não sei se fico triste por ele ter morrido ou por mim que continuo existindo no meio desse tipo de pessoas.

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